Família

Jantar à mesa em família é cada vez mais raro. Saiba como mudar

Família a jantar à mesa
Estudos recentes estabeleceriam uma ligação entre famílias que jantam regularmentejuntas à mesa com baixa incidência de consumo de drogas, gravidez precoce ou depressão.

Primeiro foi a televisão a sabotar o hábito de jantar à mesa em família. Depois vieram os horários loucos de mães e pais que não deixam margem para mais do que fazer os miúdos engolirem uma tigela de sopa e uma refeição feita à pressa, ficando os pais a jantar já depois de a prole estar na cama. Tablets e smartphones não vieram ajudar e são cada vez mais os miúdos que jantam acompanhados de um dispositivo electrónico. Mas que factura irão as famílias pagar por deixarem o hábito de pôr a mesa, sentarem-se em conjunto e jantarem todos ao mesmo tempo, sem tabuleiros no sofá, gadgets ou televisor?

Quando falamos em bebés com menos de dois anos, estamos a privá-los da convivência e da aprendizagem do acto de comer ao não levá-los para a mesa. Como não conseguem comer sozinhos alimentos mais líquidos, podemos sempre dar-lhes a refeição antes ou depois e de seguida sentá-los na mesma à mesa com a família para que possam ver, observar, ouvir as conversas, ‘picar’ do jantar dos pais e irmãos. «Por vezes comer à mesa com um bebé é um tormento. Recusa a comida, quer mexer em tudo, cospe o que lhe der. Nestes casos pode atrasar a refeição, mas deixe-o ver como os pais e irmãos comem, os gestos que fazem e os instrumentos que usam», aconselha o pediatra José Guimarães. «A imitação destes gestos é uma fonte importante de aprendizagem. Além disso vê que conversam, riem e estão divertidos. Gradualmente vai perceber que a hora da refeição é agradável!».

Se as crianças já tiverem idade pré-escolar e escolar, a importância de jantar com a família é ainda maior. No meio da rotina louca do trânsito, banhos, fazer refeições, preparar mochilas e trabalhos de casa resta pouco tempo para conversar. E a hora de jantar é dos poucos momentos em que há espaço para isso. Mas isto não quer dizer que tudo corra com harmonia e sem problemas. Se por um lado pode ter os filhos pequenos a fazer lançamentos com a comida, os mais velhos também não são menos desafiantes. Não param na cadeira (que bom seria haver cadeiras com cinto de segurança até aos nove anos!), esquecem-se das boas maneiras que teimamos em repetir vezes sem conta, interrompem-nos. Mas é mesmo por terem estes comportamentos que devemos insistir no hábito de jantar à mesa. Se os sentar sozinhos no sofá com um tablet à frente, como aprenderão a comportar-se à mesa? O segredo – como quase tudo na tarefa de educar – é ser resiliente, paciente, firme e nunca desistir.

Se ainda tem dúvidas, saiba que estudos recentes estabeleceram uma ligação entre famílias que jantam regularmentejuntas à mesa com baixa incidência de consumo de drogas, gravidez precoce ou depressão. Os resultados escolares parecem também ser melhores nos jovens que vivem em famílias que se reúnem diariamente á mesa. Além disso, vários estudos apontam que as conversas à mesa estimulam o enriquecimento de vocabulário, mais ainda do que a leitura.

E tempo para fazer o jantar e sentar todos à mesa?

O tempo é o maior obstáculo dos pais que tentam juntar-se à mesa. Chegar a casa, pensar no jantar e estar a cozinhar durante algum tempo parece uma missão impossível (e de facto muitas vezes é), com a agravante de que em muitas casas um dos pais está sozinho com as crianças porque o outro chega mais tarde. Mas há estratégias e truques que podem ajudar nesta missão. Uma delas é planear durante o fim-de-semana a semana. Duplique a quantidade de sopa que costuma fazer e congele metade para durante a semana, deixe algumas refeições já cozinhadas no congelador, arranje os vegetais e guarde-os já cortados para estarem prontos a usar. Se os avós lhe oferecerem um tabuleiro de comida, agradeça! Já resolveu um ou dois dias de refeições.

O forno pode ser o nossomelhor amigo. Seja peixe ou carne, basta colocar no tabuleiro, temperar eenquanto cozinha adianta as restantes tarefas. Envolva as crianças desde cedo napreparação das refeições, como deixar que as mais crescidas descasquem algunslegumes ou temperem a salada. Podem (e devem) ser responsáveis por pôr a mesa emesmo os mais pequeninos, a partir dos dois anos, podem levar os guardanapos ouo pão, por exemplo.

Quando todos se sentarem para comer, conversem uns com os outros. Calmamente e sem guerras, deve ir habituando os miúdos a comportarem-se à mesa. É tempo de saber como correu o dia na escola, de contar alguma história engraçada do emprego, de partilhar um acontecimento. A televisão quer-se desligada, claro está. Todos os especialistas são unânimes nesta recomendação.

Um programa que promete pôr a sua família a jantar à mesa num mês

Na Universidade de Harvard nasceu o Projecto Jantar em Família. Confrontados ao longo de 15 anos com vários estudos que comprovam a importância de juntar a família à mesa e com a realidade que cada vez mais separa os pais dos filhos à hora das refeições, especialistas americanos fundaram um movimento que aprofunda a investigação sobre o tema e oferece aos pais um programa de quatro semanas que se pode acompanhar online com metas, conselhos práticos e formas de resolver obstáculos como horários incompatíveis de forma a aumentar a frequência das refeições em conjunto. No site da organização encontra palestras, sugestões e até receitas de como tornar possível uma missão que à partida parece inalcançável.
 

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Rua3

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